2.02.2007

Hiper-diagnosticando: Amor

Estamos em tempo de exageros, e nós inclusive exageramos em tudo, como se coisas intensas durassem mais. Exageramos para tentar parar o tempo. Em vão. Entristeço-me ao ver como as pessoas acham que estão amando. Podem me chamar de invejosa ou despeitada, mas mais metade das pessoas que conheço e se dizem infinitamente apaixonadas pelo parceiro ou pela parceira, se esquecem delas amanhã ou depois. É claro que eu acho válido viver intensamente, aproveitar cada momento, usufruir da vida o máximo que pudermos por segundo. O que eu acho falta de senso é um indivíduo, num acesso de euforia, dizer “eu te amo” no primeiro encontro, digamos. Quem vê de fora - em Widescreen - vê melhor, acreditem. Hoje, chega-se ao cúmulo onde simpatia é considerada amor. Ninguém ama ninguém antes conhecer o suposto amado, e isso leva tempo. Andamos muito preocupados com quantidade, qualidade e scraps, que acabamos esquecendo de nos questionar, de ir a fundo, de no revelarmos a nós mesmos. Queremos logo nos revelar ao próximo. Não amamos nem a nós mesmos, e já estamos dizendo “eu te amo” para a pessoa que pagou o jantar. Seria bom se passássemos a olhar para o nosso interior, ao invés de nos olhar-mos no espelho. Arrancar de nós toda essa superficialidade. Seria bom que conhecêssemos o amor por meio de nós mesmos, para poder reconhece-lo no próximo. Amarmos-nos primeiro, para depois compartilhar esse sentimento com o outro. Por que será que deixamos o egoísmo de lado só quando não deveríamos? Quem não se ama não pode ser amado, nem tampouco dar amor, pelo pouco – ou nenhum – conhecimento que tem do sentimento. Devemos aprender que a melhor companhia é a nossa, ou no máximo a do nosso animal de estimação. É bem certo que às vezes não queremos a melhor companhia, só a que mais nos agrada. Elas nem sempre são a mesma. Resumindo, eu não estou te dizendo para ficar sozinho (a) o resto da vida, pois você se basta. Você até se basta, mas ficar sozinho (a) é opção. Só te peço para não banalizar o verbo amar, que é o mais lindo de todos. Não banalize a si próprio, não se negue amor. Ame-se de todas as formas, conheça-se profundamente e você estará preparado para dividir esse amor – que estará transbordando em você - com outro alguém.

2.01.2007

Páginas de que vida?

Novelas do Manuel Carlos sempre despertam em mim certa revolta e hoje aproveito um acesso de mau-humor – possivelmente causado pela minha nova dieta – para soltar minha língua e dizer que podem até ser novelas com um ibope altíssimo, mas estão bem longe da realidade da maioria dos brasileiros que perdem seu tempo assistindo-as.
Ou você nunca reparou que mesmo o núcleo “pobre” da novela tem mais dinheiro que você?
A parte da novela que fica mais próxima da realidade do público alvo são os depoimentos no final de cada capítulo, com mães de deficientes que não se parecem nadica de nada com a Helena da vez, ex-mulheres de alcoólatras que não se dão ao luxo de fazer nada o dia inteiro como a personagem da Natalia do Vale etc.
Se romanceiam – ou maquiam - a realidade, para atingir níveis mais altos de audiência, e não para te mostrar exemplos fictícios de superação e realização. A Record retrata de forma melhor o mundo real, mas cai no clichê brasileiro onde se têm dois assuntos aparentes: sertão ou favela. E o Brasil não é só isso, minha gente. Enquanto não pararmos de valorizar o pior que temos, sair disso ficará cada vez mais difícil. Temos um país tão rico em natureza e poesia, por que não retratam isso? É por isso que – se tratando de telas e polegadas – eu prefiro filmes. Esses sim, valem a pena. Basta saber escolher o que assistir.
Voltado ao tal Maneco... Não é maçante essa coisa de tudo acontecer no Leblon? Quer dizer, todas as novelas se passam lá, como se nada mais existisse. Nenhuma personagem sai do Leblon para fazer uma viajem à Paraíba, não. No caso do ator ficar doente, a personagem vai fazer cursos no exterior.
É possível que nos identifiquemos com alguns problemas e conflitos mostrados na novela, justamente por que se trata de conflitos e problemas universais. Quem não tem problemas no casamento? Quem não tem problemas com os filhos? Quem não conhece alguém que teve filho antes mesmo de deixar de ser criança?
E é por isso que eu digo que ver novela não leva a lugar algum. Nada que se mostra lá é exclusivo, nem mesmo a beleza dos atores e atrizes. E para quem tem a desculpa de que assistir novelas é como uma fuga do mundo real e das dificuldades do dia-a-dia, eu digo que é até uma boa desculpa. Mas quem é bom em desculpas não é bom em mais nada.
Tome cuidado para não perder muito tempo de sua vida assistindo o sucesso de outros, enquanto você pode correr atrás do seu.